BILHETE POSTAL
Por Eduardo Costa
O primeiro-ministro do Canadá, Carney, declarou o desejo de fazer do seu país um “farol” num período de “declínio democrático”.
É assim mais uma voz a afirmar, assumidamente, que a democracia está em perigo. O ex-presidente dos EUA, Obama, veio dizer o mesmo.
A América de Trump deu o pontapé de saída para um processo de uma nova configuração de alianças. Ameaça inclusive invadir um território de um país aliado (Gronelândia).
O mundo não voltará a ser o mesmo. E não tem necessariamente de ser para pior.
As influências das grandes potências vão definir o novo mapa. China por um lado, EUA por outro. Serão as duas superpotências que vão procurar aliados.
Aos olhos da opinião pública, a União Europeia parece que não sabe bem o que quer. Que não tem uma visão e uma estratégia.
Será?
Ou a UE está a querer decidir-se pelo caminho da neutralidade?
Tendo presente a iniciativa do aliado de sempre, sobretudo depois da Segunda Guerra Mundial (EUA), de decidir deixar de o ser, esta nova posição poderá ter deixado a UE de mãos livres para decidir o que mais interessa aos seus cidadãos, empresas, e interesses geopolíticos.
Oportuno lembrar a nova aliança comercial com os países sul-americanos do bloco MERCOSUL, com o Brasil à cabeça, que cria o maior mercado do mundo. A aproximação assumida à Índia vai ser muito importante. Os acordos com o Canadá também estão na agenda.
Talvez os líderes da União Europeia não estejam distraídos e sem rumo definido.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, é um negociador experiente.
A ver vamos. Devemos confiar que a UE sairá reforçada desta nova ordem mundial.
Eduardo Costa, jornalista, presidente da Associação Nacional de Imprensa Regional
(Este artigo de opinião semanal é publicado em cerca de 50 jornais)